Futur(s) 2020-25, por Iza Dezon Moda & Tendência - 21/05/2019

 
 

Iza Dezon, consultora no departamento do ‘Research & Future Insights’, da Peclers Paris, participou do evento de lançamento Winter 2020 compartilhando um pouco sobre a pesquisa anual da empresa que trabalha com a previsão de tendências. Chamado 'Futur(s)' o relatório anual mapeia o comportamento da sociedade e analisa os valores comportamentais para entender, prever e antecipar o desejo dos consumidores olhando para um período de 5 a 7 anos adiante.

A pesquisa apresentada durante a palestra nos mostrava as oito macro dinâmicas que estarão em discussão nos anos de 2020-25 e Isa escolheu três delas para nos apresentar. Vamos lá?

  • Do bem-estar ao melhor-viver

Um dos temas mais atuais já que estamos cada dia mais preocupados com o nosso bem-estar, nossa saúde interna, externa e mental. Atualmente estamos cada dia mais desconfiados e ansiosos com as coisas do nosso dia a dia o que nos leva a investir mais no bem-estar.

Você sabia que a tendência é que os millennials vivam de 100 a 120 anos? Precisamos - pessoas e empresas - mudar a forma como lidamos a longevidade e com o envelhecer tendo mais bondade com nós mesmos.

Essa macro dinâmica está divida em três tendências-chaves que são:

  • Auto-otimização sensata: É preciso repensar a auto-otimização virtual pois ela está gerando sérias patologias na população, sendo que dois exemplos citados foram a ortorexia, uma obsessão por comer apenas alimentos saudáveis, ou até mesmo a distorção de aparência feitas pelos aplicativos que está gerando uma grande procura por cirurgias plásticas.
  • Corpo consciente: O mindfullness e a preocupação com a mente está em alta pois a ansiedade se faz presente na vida da maioria das pessoas que querem acompanhar as tecnologias e redes sociais. É preciso repensar como voltamos a viver dentro do nosso corpo físico.
  • Envelhecendo graciosamente: O desafio aqui é encarar que o envelhecimento é um privilégio e não uma patologia. A sociedade precisa tirar um pouco o foco da juventude para aprender a envelhecer .

Partindo dessas análises, a Peclers identifica e exemplifica alguns territórios de inovação, que são exemplos claros de como colocar as tendências em ação. Sobre o bem-estar, Iza trouxe três ótimos exemplos que foram a 'Pro-idade', pensar em roupas mais funcionais que atendam as necessidades de idosos ou pessoas com alguma deficiência com a ajuda de velcros e zíperes; a 'Femcare', discutir assuntos femininos que antes eram tratados como tabus; e a 'Performance Bioativada', criar itens que podem ser ativados e adaptados pelo nosso corpo, como um top da Rebook que possui um líquido que ajusta e dá sustentação aos seios quando a mulher está em movimento e afrouxa quando está em repouso.

2) Incentivando o propósito coletivo

A segunda macro dinâmica escolhida não poderia ser mais atual. Hoje em dias todos discutem e estão em busca de seu propósito, mas aqui o questionamento é o colaborativo, onde as pessoas sentam juntas para fazer algo acontecer. Suas tendências-chaves são:

  • Ativando o comprometimento: As empresas precisam revolucionar seus modelos de negócios entendendo como engajar e motivar seus funcionários tendo na cabeça que o propósito coletivo gera impacto social, vantagem competitiva e retorno financeiro.
  • Do laboratório experimental ao uso coletivo: Aqui a regra é compartilhar recursos para trabalhar junto e integrado.
  • Expandindo: Como vamos trabalhar com as tecnologias do futuro? É preciso expandir, compartilhar conhecimento, aprender com os outros

Quanto aos territórios de inovação vemos como exemplo o 'Empoderando os seus', onde as empresas precisam motivar e apoiar seus funcionários em seus projetos; o 'Faça Comigo', já que fazer algo de forma coletiva gera um retorno ainda melhor; e o 'Lançamento Colaborativo', como as lojas colaborativas onde diversas marcas têm seu espaço para vender seus produtos de uma forma rotativa.

3) Endossando nativos ecológicos

Apesar de ser um dos temas mais discutido nos últimos anos, o lixo ainda é uma espécie de tabu já que não só evitamos olhar para ele. A verdade é que não adianta fugir, porque ele estará cada vez mais presente em nossas vidas e precisamos repensá-lo de diversas formas.

Iza até fez uma análise muito bacana apontando que o lixo é um erro de design, pois se criamos um produto novo sem pensar no que será descartado temos um grande problema.

Os nativos ecológicos citados na macro dinâmica nada mais é do que as pessoas que já nasceram com os problemas ambientais muito evidentes o tempo todo. É através do olhar deles que as empresas precisam fazer grandes mudanças. O propósito hoje não é reciclar o lixo, mas sim não produzi-lo.

Aqui as tendências-chaves são:

  • Manifesto Zero-Lixo: Nome auto-explicativo, não é mesmo? Aqui entram projetos, empresas, ideias e manifestações que lutam e difundem a ideia de produzir menos lixo.
  • Materialismo Verdadeiro: O consumo desenfreado que foi propagados nos últimos anos não faz sentido para os nativos ecológicos. Para eles, o novo luxo é ter consciência e não bens materiais.
  • Rumo à Hiper-Ecologia: Reciclar em casa é o mínimo e não o suficiente. É preciso analisar como mudar as estruturas das grandes empresas em relação a esse problema.

Por fim, nos 'Territórios de Inovação' surgem os projetos de 'Economia pós-lixo', onde é preciso ver o destino do lixo; o 'Somente o suficiente', em que é preciso diminuir para vivermos apenas com o suficiente em todas as categorias; e o 'Repensando a moda', para desenvolver novas tecnologias mais sustentáveis na indústria da moda.

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21/05/2019
Moda & Tendência